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30 de julho de 2012
A história da cachaça

A mais brasileira de todas as bebidas tem um museu para chamar de seu em Tupã (SP)

Ronaldo Luiz

Fabulosa, Volúpia, Minha Deusa, Roxinha, Insinuante. Elas estão todas lá, e para o bom amante despertam água na boca. Falamos…, claro, da cachaça, a mais brasileira de todas as bebidas, terceiro maior destilado do mundo – atrás apenas da vodca e do soju (proveniente da Coreia do Sul e feito de arroz).

Obtida pela destilação do caldo de cana-de-açúcar fermentado, a cachaça tem um museu para chamar de seu. Ele fica na cidade de Tupã, interior de São Paulo (514 km da capital), e tem mais de oito mil itens relacionados à bebida.

Desde os mais diversos tipos, essencialmente as artesanais; passando por antiquíssimas peças de engenho; chegando a livros, fotos, reportagens e painéis que trazem curiosidades e contam a história destes quase 500 anos da cachaça. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a primeira cachaça foi fabricada oficialmente em 1536.

Divulgação/Água Doce

Acervo conta com aproximadamente duas mil garrafas da bebida

Criado pelo economista Delfino Golfeto, que fez carreira em usinas de açúcar e álcool e hoje é proprietário da rede de restaurantes Água Doce: Sabores do Brasil, o museu foi inaugurado em 2004, tendo como origem a coleção particular de seu idealizador.

Inicialmente, se restringia apenas a uma sala no subsolo do restaurante, mas com a ampliação do acervo, com diversas doações e algumas aquisições, ele [o museu] ganhou espaço próprio, conta Delfino.

Hoje, ocupa aproximadamente mil m2 de área. “A história da cachaça se confunde com a do Brasil”, empolga-se Delfino. “A bebida foi criada pelos escravos por puro acidente: eles estavam manipulando a cana no preparo do açúcar. Era costume separar uma parte da produção para consumo próprio. Mas, por descuido, um dia a ‘massa da cana’ fermentou e surgiu a cachaça”, relata.

No museu, estão expostas mais de duas mil garrafas da bebida, entre elas raridades, como a Havana (não confundir com a marca de rum) e a mais rara de todas, segundo Delfino, a “Juazeiro 120 anos”, de Juazeiro do Norte (CE).

De acordo com Delfino, pela variedade de tipos, melhorias na produção e inúmeras possibilidades de preparo [como não citar a “caipirinha”!], a cachaça permite harmonizações gastronômicas de modo semelhante ao que acontece com o vinho.

“Com a carne suína ela tem mais encaixe, por exemplo, do que com a carne de boi.” Para Delfino, o reconhecimento da cachaça como uma bebida “genuinamente brasileira” pelos Estados Unidos foi formidável. “Vai valorizar o produto, abrir mercados e incentivar a formalização no setor. É preciso torná-la um orgulho nacional.”

Serviço
Museu da Cachaça
Rua Nhambiquaras, 385 – Vila Aviação – Tupã (SP)
Telefones: (14) 3441-2321 / 3441-4337
Entrada franca

3 comentários para A história da cachaça

  1. paulo décio damasceno disse:

    Muito bom esse comentário. Esclareceu como “ela” nasceu. Sem querer.

  2. ainda lembro desa gostosa cachca, do brasil e tenho saudade

  3. Eduardo Ferreira disse:

    Em MG, na cidade de Cel Xavier Chaves, é produzida a cachaça Século XVIII. O nome vem da época em que começou a ser fabricada. Desde meados dos anos 1700 é produzida initerruptamente, sendo a mais antiga do Brasil, segundo a Embratur, conforme palavras de um dos proprietários, Nando Chaves, descendente direto de Tiradentes. É história acontecendo! Vale a visita. Vale muito degustar a branquinha mais antiga do Brasil.

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