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9 de janeiro de 2012
Argentina: produtores rurais avaliam perdas com estiagem

Seca já provocou a morte de centenas de animais e perda de 22% nas lavouras de milho

Agência Estado

Agricultores e pecuaristas argentinos realizam hoje (09) à noite assembleias nas três principais províncias produtoras do país – Buenos Aires, Córdoba e Santa Fe – para discutir medidas e avaliar os impactos da forte estiagem que ameaça a safra 2011/12. A seca já provocou a morte de centenas de animais e perda de 22% nas lavouras de milho, conforme dados da Federação Agrária (FAA).

A meta de produzir 110 milhões de toneladas de grãos e oleaginosas dificilmente será atingida se não voltar a chover no país. A falta de chuvas, consequência do fenômeno La Niña, tem castigando as lavouras de milho desde dezembro. O presidente da FAA, Eduardo Buzzi, compara a seca atual à de 2008, que provocou as maiores perdas do setor nos últimos anos, de 35,4 milhões de toneladas.

“Desde dezembro, já perdemos cinco milhões de toneladas de milho e outros cinco milhões de toneladas de soja, o que implica em US$ 3 bilhões que não vão entrar no circuito econômico argentino nem no bolso dos produtores e povos do interior”, afirmou Buzzi, em nota distribuída à imprensa. Ele detalhou que a situação é grave em Córdoba, Santa Fe, La Pampa e Buenos Aires, as grandes províncias produtoras.

O governo, no entanto, ainda não reviu suas estimativas. Como a safra de soja ainda está sendo semeada, mesmo com a seca a produção da oleaginosa poderia chegar a 50 milhões de toneladas. O milho, que em 2010/11 atingiu 23 milhões de toneladas, deve resultar numa produção menor, mas a Secretaria de Agricultura ainda não tem um prognóstico exato sobre as perdas.

“Neste ano já contamos com uma safra total de grãos de cerca de 100 milhões de toneladas porque estamos vendo uma queda da produção rondando o milho”, disse o subsecretário de Agricultura, Oscar Solis, em entrevista a rádios de Buenos Aires. Segundo ele, ainda não é possível avaliar a situação do cultivo.

Demandas
Os produtores reivindicam ajuda oficial e renovam demandas antigas, como a eliminação dos impostos de exportações, como forma de aliviar a carga de custos. Após as assembleias que ocorrerão à noite nesta segunda-feira, os produtores vão encaminhar os pedidos ao ministro de Agricultura, Norberto Yauhar. “Os produtores estão se mobilizando porque não querem desaparecer”, argumentou o líder ruralista Buzzi.

Além da seca, Buzzi indicou que os produtores enfrentam muitos problemas, como “os aumentos das taxas municipais e as enormes dificuldades ocasionadas pelas travas às exportações e o sistema distorcido dos preços impostos pelo governo”. Em nota distribuída à imprensa, o ministro Yauhar informou que uma equipe de técnicos está monitorando a situação climática e o resultado final sobre a safra vai depender do que foi semeado, do tipo de solo e de seu perfil hídrico.

“Sem negar que é um problema grave, acho que ainda estamos a tempo de salvar a safra porque uma grande porcentagem de soja e milho ainda não foi semeada.” O ministro também antecipou que vai convocar para a próxima quinta a Comissão de Emergência Agropecuária, para discutir medidas que possam ajudar a enfrentar a estiagem.

Na semana passada, a Federação Agrária divulgou uma série de fotos de rebanhos bovinos mortos pela seca. Em seu último relatório, divulgado na quinta, a bolsa de cereais de Buenos Aires projetou chuvas para os próximos dias, que, segundo a empresa, darão alívio ao milho e evitarão perdas importantes de soja.

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