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20 de julho de 2012
Avicultores gaúchos pedem subsídio para comprar milho

Após seca no Estado e alta dos insumos para ração, produtores reclamam de especulação

Agência Estado

Avicultores do Rio Grande do Sul pediram nesta sexta-feira (20) ao governo que restrinja as exportações de milho e de soja para garantir maior oferta interna e segurar a alta de preços dos insumos usados na ração animal. Em encontro com o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, em Porto Alegre, a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) também pediu realização de leilões de milho dos estoques públicos com Valor de Escoamento de Produto (VEP), subsídio que reduz as despesas com frete, para a indústria, e vendas de balcão para os pequenos criadores.

O Rio Grande do Sul foi o Estado que mais perdeu produção de soja e milho por causa da seca no último verão. Mendes Ribeiro deixou o encontro depois de 10 minutos sem confirmar ajuda ao setor. “O ministro tem uma boca só e dois ouvidos, ele ouve. E tem uma caneta disposta a dar uma solução”, disse apenas, passando o comando da reunião para o secretário de Política Agrícola Caio Rocha.  Mendes Ribeiro, que nesta semana anunciou ajuda aos suinocultores, que também reclamam do alto custo de produção por causa dos grãos, defendeu maior uso da irrigação nas lavouras do Rio Grande do Sul.

O presidente da Asgav, Nestor Freiberger, disse que criadores pagam no interior gaúcho até R$ 36 pela saca de 60 quilos de milho. “O maior problema é especulação em cima do grão. O céu não é o limite.” Francisco Signor, superintendente do ministério da Agricultura no Estado, disse que produtores estão segurando o que sobrou da safra de soja para negociar a preços mais altos antes da nova safra, em março de 2013. Essa estratégia estaria afetando inclusive as esmagadoras, que tiveram de suspender as operações por falta de matéria-prima. “Até dezembro e janeiro vai piorar”, disse Signor. Segundo ele, o preço do farelo de soja quase dobrou nos últimos sessenta dias, para R$ 1,2 mil a tonelada.

Caio Rocha pediu aos avicultores que apontem qual é o custo de produção para que o Ministério da Agricultura analise a situação, mas destacou que barrar as exportações é inviável. Para tranquilizar os produtores, sinalizou que o mecanismo de VEP pode ser usado rapidamente e destacou que “não vai haver desabastecimento de milho e soja no Estado”.

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