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12 de março de 2012
De onde vem o milho?

A trajetória do cereal consumido diariamente nas ruas da capital paulista

Lívia Andrade

Para os fãs de milho verde, andar pela capital paulista é uma tentação constante. Os carrinhos de milho se multiplicam pelas esquinas, saídas de metrôs e lugares com alta rotatividade de pessoas, como a Avenida Paulista e arredores de pontos culturais: cinemas, teatros, cafés, etc. Mas você sabe de onde vem o cereal que enche as ruas de aroma?

A reportagem do Sou Agro conversou com alguns vendedores e chegou às regiões de origem. A maioria dos donos de carrinho de milho compra o produto de revendedores que, por sua vez, adquirem a mercadoria na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Observação: graças às condições climáticas, o Brasil tem duas safras, a de verão e a de inverno, o que possibilita encontrar milho verde durante todo ano.

Em países de clima temperado, como Europa e EUA, há apenas uma safra por ano.
No verão, o milho vendido na capital paulista vem de São Miguel Arcanjo, Pilar do Sul e Itapetininga, municípios do sudoeste do Estado São Paulo. Já no inverno, o produto procede de regiões mais quentes: litoral e cidades no sentido Campinas: Mogi Mirim, Casa Branca, Vargem Grande. “Quando falta, a gente traz de Guaíra, mas raramente compramos de outros Estados”, explica João Ueti Uehara, comerciante de milho do Ceagesp.

Divulgação

O sustento de muitos brasileiros, como Osmar Souza Costa, depende basicamente do milho

O sustento de muitos brasileiros depende basicamente do milho. É o caso do baiano Osmar Souza Costa, 34 anos, que vive há dezessete anos na Paulicéia. Cansado de trabalhar para os outros, há sete anos ele deixou o emprego numa padaria para ser seu próprio chefe. Comprou um carrinho de milho verde e, desde lá, vive da venda de milho verde cozido, curau, pamonha doce, pamonha salgada e suco de milho comercializados nas proximidades do Sesc Vila Mariana.

A rotina de Costa não é nada fácil. Morador do bairro Belenzinho, ele acorda às 5 horas da manhã e logo começa a descascar o milho. “Mas até descascar, coar e preparar, a pamonha só vai ficar pronta lá pelas 14 horas”, diz. Na sequencia, ele pega o seu “poizé”, carro comprado com os recursos dos dois primeiros anos de labuta com o cereal, e segue para o local de trabalho. Fica lá das 15 horas às 21 horas, quando vai para casa, mas antes para no Parque Dom Pedro e pega milho para o dia seguinte. “Eu procuro comprar o milho todo dia para manter a qualidade, porque com dois dias a espiga já não é a mesma coisa”, diz.

Diariamente, Costa consome seis sacos do cereal com 35 espigas cada. Conclusão: por mês, são cerca de 132 sacos, o que dá 4.620 espigas. Em um ano, este número salta para 55.440 espigas. O preço da matéria-prima varia muito. “O mercado do milho verde é como o do tomate: se a produção cresce, o preço cai”, diz Uehara. “Neste ano, a safra de verão adiantou por causa do clima, a colheita foi boa. Mas o preço está ruim não só por causa do aumento da produção, mas pelo calor que faz o consumo de milho verde cair”, explica Uehara.

No momento, o preço do saco do cereal no Ceagesp está oscilando entre R$ 5 e R$ 8 sendo que o normal nesta época é algo em torno de R$ 10 e R$ 15. No entanto, os revendedores não passaram a baixa aos clientes. Costa continua pagando pelo saco entre R$ 12 a R$ 15.
De todos os meses do ano, o mais complicado é junho. “O milho fica caro por causa das festas juninas. Já aconteceu de eu pagar R$ 35 pelo saco e salvar só duas espigas”, diz Costa, que labuta de terça a domingo e feriados e do milho tira o sustento da família de três pessoas: ele, a esposa e a filha.

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