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Eles alimentam o Brasil

Para transportar alimentos e outras cargas, caminhoneiros cruzam o País de norte a sul

Júnior Milério

Na música “Caminhoneiro”, o rei da música brasileira cantou “já rodei o País inteiro e, como um bom caminhoneiro, peguei chuva e cerração” e depois de Roberto Carlos, Sula Miranda deu voz a versos como “o caminho é sempre perigoso e ele é cuidadoso, não pode arriscar”, na canção “Caminhoneiro do Amor”.

Norival de Almeida Silva, presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de São Paulo (Sindicam-SP), é caminhoneiro há 37 anos, e com 22 anos de casado, afirma “já fiquei dois meses sem ver minha esposa e meus filhos. Estava na estrada, sem telefone, sem contato nenhum com eles”.

A experiência de Norival é compartilhada por todos que trocam a vida social e o cotidiano com a família pelas rodovias brasileiras. E o que muda é apenas a carga, “já carreguei soja, milho, feijão, todo tipo de coisa, de alimentos a algodão”, diz o caminhoneiro.

Não à toa, frases de para-choque de caminhão fazem parte da cultura popular brasileira. São mais de três milhões de caminhoneiros transitando por cerca de 200 mil quilômetros de estradas no País. Mais da metade destes profissionais são autônomos, “transportam de tudo, desde que tenham a devida capacitação”, explica o presidente do Sindicam-SP.

Divulgação

São mais de três milhões de caminhoneiros transitando por cerca de 200 mil quilômetros de estradas no País

Pedro e Bino de verdade
Desde maio de 1979, quando foi ao ar o primeiro episódio da série “Carga Pesada”, a vida de dois caminhoneiros pelas estradas brasileiras é sucesso na televisão. Pedro – vivido pelo ator Antônio Fagundes, e Bino, na pele do ator Stênio Garcia, apresentam o dia a dia de quem opta pela profissão.

Mas para ser um caminhoneiro na vida real, o pré-requisito básico, além da Carteira Nacional de Habilitação na respectiva categoria do veículo, é ter um curso com carga de 85 horas, oferecido pelo Serviço Social do Transporte – Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SEST SENAT), explica Norival.

E, no Brasil, existem caminhoneiros de 21 até 80 anos de idade. Todos, sem exceção, com a capacitação exigida, “inclusive, há instituições que ministram palestras semanais para os motoristas”, diz o dirigente sindical, que ressalta “a maioria dos profissionais está na faixa etária entre 40 e 55 anos”.

“Todos buscam estar atualizados com modernas tecnologias e com as inovações do setor automobilístico”, destaca Norival. E ele também explica que, para adquirir um caminhão, é necessário um investimento a partir de R$ 250 mil, mas depende do tipo de carga que o profissional pretende transportar.

“Estradas, uma história, nossas vidas”
Gabi Gonçalves é mineira, artista plástica e proprietária da loja Maria Buzina. O caminhão faz parte de sua história bem antes de nascer. Seu bisavô e avô eram caminhoneiros, e ela diz contente, “as lonas contam histórias, cada mancha, cada furo é uma experiência de vida”. E, também por isso, Gabi idealizou a exposição “Estradas, uma história, nossas vidas”.

Na Maria Buzina são vendidas bolsas confeccionadas a partir de lonas inutilizadas. Mas na exposição, que acontece em Juiz de Fora (MG), de 02 de fevereiro a 12 de março, Gabi pretende prestar uma homenagem aos caminhoneiros. “São muitas histórias, na exposição há depoimentos de nove caminhoneiros. A gente pode valorizar mais esses profissionais, que deixam suas casas para transportar o que a gente precisa pelas estradas do Brasil”, afirma a artista.

Com áudio, vídeo e também fotografias, o Espaço Cultural Correios – local da exposição em Juiz de Fora – contará com uma cabine, onde os visitantes poderão se aproximar da realidade dos caminhoneiros.

Mesmo não sendo uma vivência na estrada, Gabi acredita que “a exposição vai despertar um sentimento de valorização do caminhoneiro”, este profissional que, por tantas vias, pode levar tempo para pegar o caminho de volta para casa, enquanto transporta inúmeras cargas, entre elas, o alimento que chega à nossa mesa.

“Caminhoneiro” – Roberto Carlos

Carga Pesada

3 comentários para Eles alimentam o Brasil

  1. Paulo disse:

    Muito bom, parabens aos caminhoneiros do Brasil… Saudade deste programa “Carga Pesada”…

  2. Ariany Rafaella disse:

    Sem eles a produção nacional não anda!
    Trabalho com eles, é uma vida de muito desapego pra levar os produtos na casa de cada brasileiro.
    Parabéns a eles!

  3. Gabi Gonçalves disse:

    Oi Júnior!
    Adorei a matéria! Ficou linda!
    Obrigada!

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