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Entre o campo e as panelas

Agrônomo e chef faz da gastronomia uma vitrine para a agricultura

Júnior Milério

Na hora de comer, origem e qualidade dos alimentos são alguns dos requisitos mais exigidos. Seja em um restaurante, com um chef de cozinha comandando o fogão, ou em casa, com aquela “receita de mãe”, passada de geração para geração.

Mas a maestria na hora de cozinhar também depende de um produto devidamente cultivado, tratado, colhido, armazenado, transportado e comercializado. Daniel Kimura, que é chef, agrônomo e professor, tem consciência disso e afirma, “a gastronomia é uma vitrine para a agricultura”.

Kimura é descendente de japoneses, com tradição no cultivo e comércio de hortifrúti no Brasil. Mas ele admite que, quando terminou o curso de agronomia, “já adorava a cozinha, e hoje consigo trabalhar com as duas coisas”.

Divulgação

Daniel Kimura: “Para ter o alimento à mesa, alguém no campo plantou, tratou, cuidou e colheu”

Gastronomia do arroz e feijão
Hoje, na capital paulista, existem três restaurantes entre os 100 melhores do mundo (D.O.M., Fasano e Maní). Kimura, aos 29 anos, defende que um chef de cozinha tem o dever de aproximar esses dois mundos, o campo e a gastronomia, tão em voga ultimamente.

Segundo ele, a arte de cozinhar não se limita ao restaurante, “também está presente no cotidiano que a gente vive, do arroz com feijão e ovo”.

E para o chef, o produtor deve ser mais valorizado. “A população no mundo tem que comer, e quem está no campo deveria ter mais incentivos para produzir. Vejo muitos amigos produtores desmotivados, e seus filhos e netos não querem continuar no campo, acham que é melhor não depender de fatores climáticos, entre outros, para sobreviver”, afirma Kimura.

Por outro lado, Kimura destaca iniciativas de valorização da agricultura e de fortalecimento do laço entre campo e cidades, como, por exemplo, o turismo rural gastronômico e a agregação de valor aos produtos agrícolas. “Quem produz está preocupado com o cliente final e é claro, que também há mais cobrança por parte do consumidor. Essa relação é ótima”, salienta o chef.

Em família, na sala de aula e na cozinha
Em sala de aula, o professor Daniel Kimura, sugere aos alunos do curso de gastronomia do Senac que, “na hora de manipular os alimentos, não haja desperdício, tanto pelo custo, mas também em respeito a quem produziu. Para ter o alimento à mesa, alguém no campo plantou, tratou, cuidou, colheu, transportou”, explica ele. “Nas minhas aulas, há muito conhecimento técnico que me respaldo na agronomia, e para a arte final me baseio na gastronomia.”

3 comentários para Entre o campo e as panelas

  1. Oswaldo disse:

    Parabens prof Kimura, pelo excelente artigo.
    Precisamos reverter a imagem do homen do CAMPO
    O JECA TATU de ontem, é responsavel pela nossas exdportações de hoje.
    A produção agricola é estrategica para qualquer pais.

  2. Jenifer Feuser disse:

    Sou agrochef. Acho perfeita a manifestação das pessoas que incentivam a aproximação entre o produtor rural e a gastronomia. Aposto muito nas crianças… gostam de se sentir SALVANDO O MUNDO… e desta forma, a culinária, no melhor estilo horta&escola, pode criar horizontes sustentáveis na formação de minichefs.

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