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29 de fevereiro de 2012
Escolas Estufas: fortalecendo o elo entre o agro e as cidades

Programa da Secretaria de Participações e Parcerias da Prefeitura de São Paulo capacita moradores da paulicéia interessados em trabalhar com a terra seja em hortas ou em jardins

Lívia Andrade

Uma iniciativa da secretaria de Participações e Parcerias da Prefeitura de São Paulo quer acrescentar mais verde ao cinza da selva de pedras que é a capital paulista. Trata-se do “Escola Estufa”, um programa que capacita os interessados em aprender a trabalhar com a terra.

A inspiração veio do “Mãos à horta”, um programa de Lucy Montoro, esposa de André Franco Montoro, que governou São Paulo de 1983 a 1987. Naquela época, São Paulo chegou a ter 300 hortas comunitárias, uma delas no Palácio dos Bandeirantes.

Em 2008, o resgate do “Mãos à horta” resultou na criação do “Escola Estufa”, que recebeu este nome pelo fato do aprendizado acontecer no espaço físico de uma estufa. O programa consiste em uma capacitação de três meses nos quais o aluno aprende desde a preparação de solo até como plantar hortaliças, plantas medicinais, flores comestíveis e árvores frutíferas.

“O curso promove na pessoa uma nostalgia ao lidar com o solo, com o cheiro da terra. Os alunos percebem que a planta, a terra são indefesos e precisam de cuidados. É preciso parar para cuidar e isso ajuda no senso de convivência em uma cidade que nos pede cada vez mais pressa”, diz Fábio Souto, coordenador geral da Coordenadoria de Convivência, Participação e Empreendedorismo Social (Conpares) da Secretaria de Participações e Parcerias.

Divulgação

Programa já formou 1,1 mil pessoas em oito Escolas Estufas espalhadas pela capital paulista

As aulas são divididas em dois módulos: horticultura e jardinagem. No término do período, os alunos são avaliados e recebem certificação. Até o momento, o programa contemplou 1.100 pessoas em oito Escolas Estufas, mas até o fim do ano deve contemplar as 31 subprefeituras, abrangendo toda a cidade de São Paulo.

Não há limite de idade para cursar o programa, o único requisito é ter consciência. A capacitação é gratuita e está aberta a todos. As escolas municipais, estaduais e particulares podem agendar uma visita com os alunos. “Neste caso, montamos uma aula específica, as crianças ganham uma muda, aprendem a plantar e também a montar uma composteira portátil”, diz Souto.

Desde o lançamento do “Escola Estufa”, muitas empresas e donos de sítios procuraram a prefeitura interessados em contratar os alunos do curso. No entanto, mais que uma capacitação para o mercado de trabalho, o programa é um instrumento de conscientização ambiental e de melhoria da qualidade de vida.

Durante o curso, há workshops de aproveitamento total dos alimentos (vide receita abaixo), diabetes, obesidade, etc. Há, inclusive, o relato de uma pessoa que perdeu 10 quilos só com as dicas das aulas. “Esta é uma das veias do projeto: ajudar os alunos a compreenderem a importância de uma alimentação saudável e isso se dá por meio do plantio, porque a pessoa passa a se relacionar com o alimento de forma diferente”, explica Souto.

José Reinaldo Schmidt foi um dos alunos do programa “Escola Estufa”. Dono de um sítio, ele tinha acabado de comprar uma loja especializada na venda de produtos orgânicos no mercado municipal do Tucuruvi, quando decidiu se inscrever no curso. “Meu objetivo foi aprender mais para plantar na minha propriedade e fornecer para a loja”, diz Schmidt.

Deu certo! Hoje, o solo do sítio de Schmidt está sendo preparado para o plantio e ele contratou um companheiro de turma para ser o caseiro da propriedade e cuidar da horta. “O Francisco é paranaense, já trabalhou anteriormente em várias plantações, mas estava desempregado e morando em um albergue”, conta Schmidt.

Aos interessados em aprender a lidar com a terra, a boa notícia é que, a partir de abril, o “Escola Estufa” retoma as aulas. A data ainda não está fechada, mas para saber mais informações, basta acessar: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/participacao_parceria/coordenadorias/conpares/.

RECEITA

Biscoito de casca de tangerina

Ingredientes:
Cascas de 2 tangerinas (50g)
3 xícaras (chá) de farinha de trigo (390g)
1 xícara (chá) de açúcar (205g)
7 colheres (sopa) de margarina (110g)

Modo de preparo:
Higienize as cascas das tangerinas e corte-as em tirinhas. Ferva as cascas por cerca de meia hora e escorra. Deixe esfriar e pique-as em pedaços pequenos. Em uma tigela, misture a farinha, o açúcar e a margarina e amasse até formar uma massa homogênea. Junte as cascas, misture bem e molde os biscoitinhos em formato arredondado. Leve para assar em forno médio, pré-aquecido, até dourar.

Tempo de preparo: 1h30
Peso da porção: 36g (5 unidades)
Valor calórico da porção: 160 kcal
Rendimento: 20 porções

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