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18 de junho de 2012
Ligação sustentável

Diferenciais ambientais do agro são ativos para a construção de uma economia verde

Redação

O avanço do agro brasileiro ancorado em mais produção com menos impacto ambiental, bem como a possibilidade de o setor também contribuir para a diminuição da emissão de gases do efeito estufa, são vantagens comparativas da agricultura, da pecuária e do setor de florestas plantadas do País que associadas a novos modelos de medição do desenvolvimento sustentável podem se transformar em vantagens competitivas do Brasil no mercado internacional. Este ó mote de três documentos divulgados na Rio+20 entre domingo (17) e segunda-feira (18).

No lançamento das “Propostas do setor para a Rio+20” nesta segunda-feira, a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, defendeu a criação de um indicador mundial que dê tratamento diferenciado no comércio internacional aos países que tenham práticas agrícolas ambientalmente corretas. Neste aspecto, o Brasil tem trunfos, como, por exemplo, o uso de processos de produção conservacionistas e ao mesmo tempo viáveis economicamente.

A proposta apresentada pela senadora vai ao encontro do novo índice, divulgado neste domingo pela Organização das Nações Unidas (ONU), também na Rio+20, que pretende incluir no cálculo de riqueza o uso de recursos naturais. Batizado de IRI (Índice de Riqueza Inclusiva), o indicador considera na conta do “crescimento” dados relacionados a florestas, áreas agrícolas, combustíveis fósseis e reservas minerais.

Kátia Abreu também sugeriu a implantação de um fundo internacional para financiamento e difusão de tecnologia que contribua para o desenvolvimento agrícola e pecuário com respeito ao meio ambiente. Segundo a senadora, o agro brasileiro produz comida, madeira, fibras e matéria-prima para biocombustíveis em 27,7% do território nacional. Por sua vez, as áreas de florestas nativas preservadas somam 61% do País.

Florestas e economia verde
A preservação e o uso sustentável dos recursos florestais foram apontados também nesta segunda-feira, na Rio+20, como elementos chave para a construção da economia verde. Um seminário promovido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em parceria com a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) e a entidade mundial do setor (ICFPA, na sigla em inglês) debateu o tema.

No evento foi apresentada a décima edição do relatório da FAO “Estado das Florestas Mundiais”, que defende que “florestas são chave para atingir os objetivos de sustentabilidade de longo prazo em todos os níveis, incluindo a provisão de bens e serviços essenciais em uma economia verde”. Nesse contexto, o relatório ressalta que as florestas cumprem diversos papéis relevantes da economia verde.

O primeiro deles é como sistema de apoio crítico à vida, pelas funções ecossistêmicas e de captura e estoque de carbono das florestas. Segundo o relatório, só a biomassa das florestas acumula 289 bilhões de toneladas de carbono.

Para a FAO, a restauração florestal e o reflorestamento também são meios críticos de resolver desafios da segurança alimentar, como a desertificação e a degradação do solo. “Sistemas agroflorestais e silvipastoris são algumas das formas de capitalizar a proteção das florestas para a produção e a produtividade de alimentos”, afirma o relatório, defendendo os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta.

Um segundo papel das florestas que também está relacionado ao agro é o de promover o desenvolvimento e a igualdade do ponto de vista econômico. Estudos do relatório associam o investimento em negócios de base florestal à melhoria de vida no meio rural, à redução da pobreza e à promoção da igualdade. “Cerca de 350 milhões das pessoas mais pobres do mundo dependem das florestas para sua subsistência e sobrevivência de longo prazo”, de acordo com o documento, por isso os investimentos nas florestas podem reduzir a pobreza.

O potencial da madeira como condutor para um futuro sustentável também é destacado pela FAO: “a madeira é natural, reciclável, reutilizável e biodegradável”. Por isso, o órgão da ONU aponta o material como substituto de produtos nocivos ao meio ambiente em diversas indústrias, servindo para torná-las mais verdes. Mas o documento alerta que é preciso promover uma mudança da percepção pública de que a madeira não é uma matéria-prima ambientalmente amigável.

Entre os setores que podem se tornar mais verdes com as florestas estão a agropecuária, a energia, o transporte e a moradia. “A integração de árvores com a agropecuária está ganhando importância como componente de uma agropecuária carbono-eficiente”, afirma o relatório.

APP Mundial
Nesta segunda-feira, Kátia Abreu reafirmou ainda a proposta de criação de um conceito mundial de Áreas de Preservação Permanente (APPs) nas margens dos rios. Com respaldo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Agência Nacional de Águas (ANA), a ideia será detalhada nesta terça-feira (19) em novo pronunciamento à imprensa.

“O que nós queremos é encontrar adeptos a um conceito mundial de áreas de proteção permanente e que cada país possa, de forma autônoma, adotar uma legislação própria para a revitalização e a conservação das matas ciliares”, ressalta a senadora. Há duas semanas (no dia 04 de julho), em evento na Sociedade Rural Brasileira (SRB), Kátia Abreu pontuou que a largura do rio não é parâmetro para a definição do tamanho das matas ciliares. Os critérios que devem ser considerados são outros, disse, citando inclinação, profundidade e tipo do solo (arenoso ou argiloso) da beira do rio.

Pecuária
Já o superintendente de Marketing e Comercial da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), João Gilberto Bento, destacou neste domingo (17) no espaço AgroBrasil na Rio+20, práticas da pecuária nacional que lhe dão caráter de atividade sustentável. A entidade divulgou relatório em que traça a evolução da pecuária zebuína de corte e leite no Brasil.

Entre os diferenciais, João Gilberto citou o melhoramento genético dos animais, a evolução da fertilidade e o manejo adequado das pastagens, e a integração-lavoura-pecuária-floresta, processos que aumentam a produtividade do setor e reduzem a emissão de gases do efeito estufa da atividade.

“Se o capim tem boa qualidade e é bem manejado, a pastagem colabora para o sequestro de gases e reduz o tempo de permanência dos animais no pasto. Associado ao plantio de árvores, o processo é ainda mais eficiente. Na medida certa, o sombreamento favorece o bem-estar do gado, além de se tornar uma nova atividade econômica para a fazenda, com a comercialização de madeira.”

Segundo Eduardo Biagi, presidente da ABCZ, “este [a pecuária] é um setor no qual temos conquistado excelentes resultados e será altamente positivo poder mostrar tais avanços”, acrescentando que “podemos, nos próximos 20 anos, dobrar nossa produção de carne bovina de maneira sustentável”.

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