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18 de maio de 2012
O campo que produz também consome

Aumento da renda gerada pelo agro impulsiona o varejo no interior, diz pesquisa

Juliana Ribeiro

Um estudo publicado pela consultoria Nielsen, uma das maiores do mundo no ramo de varejo, conclui: o faturamento das redes de supermercado cresceu mais no interior do País do que nas capitais no último ano. O trabalho, divulgado na semana passada, mostra que as vendas nas pequenas e médias cidades brasileiras cresceram em média 13,3% em 2011, ante 7,8% de expansão nas capitais.

Boa parte desse crescimento no interior se deve ao agro. Entre as regiões do País, o Centro-Oeste se destaca por ter o maior aumento nas vendas em cidades do interior: 25%, ante 9% nas capitais. A economia da região é a mais dependente do agro no País, e também é onde o uso de tecnologias para aumentar a produtividade é mais intenso.

Em seguida vem o Sudeste, com 16,1% de crescimento. O potencial das cidades do interior é tão grande que, das 201 novas lojas abertas no estado de São Paulo em 2011, 112 foram inauguradas em municípios de pequeno e médio porte. “O crescimento das cidades pequenas e médias é reflexo do processo de urbanização iniciado há mais de 50 anos”, esclarece Olegário Araújo, diretor de atendimento da Nielsen. “Por influência da imigração, essas cidades apresentaram um grande crescimento demográfico e passaram a atrair investimentos do setor privado, gerando empregos e distribuição de renda”, explica.

Consumidor mais exigente
Com mais renda, a busca dos consumidores por maior qualidade se reflete no campo, onde o produtor também precisa investir para atender as novas exigências e os novos padrões de consumo.

Para Araújo, essas mudanças estão sendo levadas para o interior. “O mercado deve estar atento, pois os consumidores dessas regiões estão se tornando tão exigentes quanto os das grandes capitais”, diz. “São consumidores jovens, que valorizam novidades e procuram produtos que tornem sua vida mais prática, também atendendo a um apelo de saúde, sofisticação e indulgência.”

O crescimento do consumo no interior também está ligado aos vetores que impulsionam a economia brasileira como um todo: praticidade, sofisticação, indulgência e bem-estar. Exemplo disso é que as categorias de maior destaque em crescimento estão ligadas a esses vetores, com destaque para carnes congeladas, que crescem 20% no interior e 13% nas capitais. Além disso, das 10 categorias de maior contribuição ao crescimento dos autosserviços em 2011, todas registraram melhor desempenho nas cidades do interior.

Um recente estudo divulgado pela IPC Maps traz ainda um outo dado relevante. O consumo nas regiões Norte, Sul e Centro-Oeste tende a crescer neste ano, em comparação com o ano passado, enquanto o Sudeste deverá perder participação no potencial de consumo do País – de 52,2% para 50,4%.

O trabalho também aponta perda na participação de todas as capitais no potencial de consumo em comparação a 2011, confirmando a tendência à descentralização do consumo, assim como apontado pela Nielsen. A participação das capitais deverá ser de 32,5% em 2012, ante os 32,7% registrados em 2011.  Em valor, a participação das 27 capitais brasileiras será de R$ 885,6 bilhões.

Um comentário para O campo que produz também consome

  1. Roberta disse:

    Faço consultoria no interior do Paraná, fico encantada com o nível de vida em pequenas cidades. Cafelândia do Oeste (14mil habitantes) tem um supermercado maravilhoso!! Muitas cidade bem maiores não possuem o serviço que tem lá.
    Visitando integrados de suínos podemos contatar que vivem em ótimas casas, com muito conforto. O trabalho sempre é duro, lavoura, pecuária, etc. mas o sistema distribui realmente renda ao produtor.
    O Brasil precisa valorizar mais o que vem do campo!

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