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28 de maio de 2012
Porteira aberta para o conhecimento

Com teoria e prática, iniciativa educacional aproxima futuros jornalistas do agro

Juliana Ribeiro

Da sala de aula para o campo. É isto o que jovens universitários de várias regiões do País experimentaram durante dois dias em Campinas, interior de São Paulo, na segunda etapa da 5ª edição do prêmio Abag de Jornalismo – José Hamilton Ribeiro. Promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto (AbagRP) o evento contou com palestras e dias de campo e teve como mote o agro e a sustentabilidade.

O intuito é levar informação aos jovens e aproximá-los do agro, seja para conhecer um pouco melhor sobre o setor ou até quem sabe cogitarem uma carreira como jornalistas especializados na cobertura de assuntos do meio rural. Na semana passada, jovens de 11 universidades paulistas estiveram reunidos no Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

Abag/RP

Secretaria Mônika Bergamaschi: entre 1990 e 2011, a área cultivada cresceu 36%, enquanto a produtividade aumentou 146%

Logo pela manhã, os estudantes assistiram à palestra de Luiz Carlos Correia Carvalho (Caio), presidente da Abag, cujo tema “Agro e a Rio+20” despertou a atenção e a curiosidade da plateia. Caio mostrou aos alunos os diferentes cenários desde a Rio 92 até os dias de hoje.

Ao final de seu bate-papo, defendeu a importância de o Brasil levar à conferência os bons exemplos que o agro vem dando ao mundo: altos investimentos em tecnologia e integração entre proteção ambiental e produção agropecuária. Caio também falou sobre as propostas que o Brasil deveria levar para discussão, como o fim da tributação aos biocombustíveis e metas para acabar com a fome. “Investimentos em tecnologia são importantes aliados no aumento da produtividade e no combate à fome”, disse.

Na última palestra da manhã, o diretor de comunicação da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Antonio Carlos Moreira, falou sobre o papel da comunicação e como o agro aparece na mídia em geral. No início da tarde, os alunos participaram de um bate-papo bastante descontraído com a secretária de Agricultura do Estado de São Paulo, Mônika Bergamaschi, que falou sobre o aumento da produtividade agrícola para atender a demanda do crescimento populacional.

Durante o encontro, ela explicou aos estudantes os desafios para o aumento da produção, com investimento em tecnologia e enfatizou a questão da redução da população nas áreas rurais. “Cada vez menos pessoas produzem para cada vez mais pessoas nas cidades”, enfatizou. Quando questionada pelos estudantes sobre a questão de aumento da área para a agricultura, Mônika mostrou que entre 1990 e 2011, a área cultivada cresceu 36%, enquanto a produtividade aumentou em 146%.

Para mostrar aos estudantes o quanto o agro produz e quão reduzida é sua área diante da dimensão do território brasileiro, Mônika ofereceu outro dado importante para a plateia. “O agro produz em 70 milhões de hectares, dos 853 milhões existentes no Brasil”. Quando questionada sobre a expansão dos canaviais para produção de etanol, ela falou sobre os investimentos em tecnologia para aumento de produtividade e explicou.

“No Brasil existe apenas a visão do abastecimento. Todo mundo quer o combustível nas bombas, no posto. Mas ninguém quer a cana-de-açúcar.” E por fim, deu um exemplo prático sobre o uso de fontes limpas de energia. “Se vocês forem abastecer o carro e a gasolina estiver compensando mais que o etanol, vocês prefeririam pagar um pouco mais para abastecer com um combustível que polui menos ou pensariam apenas na parte financeira? As pessoas falam em sustentabilidade, mas quem está disposto a pagar mais para preservar?”, perguntou a uma plateia pensativa.

Tecnologia surpreende
Ao final do dia de palestras, os alunos visitaram a Fazenda Santa Elisa, de propriedade do IAC, onde são feitos estudos e pesquisas diversas. As amigas Gabriele Moreno do Nascimento, Patricia Faermann e Maira Brandão, alunas da Universidade Metodista de São Bernardo, gostaram muito dos temas abordados e dos debates que surgiram. “Eu não conhecia nada do agro e não fazia ideia de que havia campo para jornalistas nesse setor”, disse Mayra.

Para Patrícia, além da oportunidade de mercado, o contato com figuras importantes do setor e o acesso a informações mais aprofundadas sobre temas polêmicos como desmatamento e sustentabilidade, possibilitaram a ela enxergar o agro com outros olhos. “Ver o quanto de tecnologia é aplicada e como os produtores estão preocupados com o meio ambiente e com a integração de seu trabalho com a natureza é surpreendente”, disse.

Na opinião de Gabriele, que participou da primeira etapa do circuito, realizado durante a Agrishow, em Ribeirão Preto, que aconteceu no mês passado, a aplicação de tecnologias no campo também foi o mais surpreendente. “Ver aquelas máquinas gigantescas, que trabalham com tanta rapidez e precisão e saber do quanto de pesquisa é desenvolvida para melhorar o trabalho no campo e reduzir o impacto foi muito enriquecedor.”

No último dia do encontro, os alunos visitaram empresas associadas à Andef, para conhecer um pouco sobre o processo de pesquisa e produção de agroquímicos, seu uso, cuidados e funcionalidades para garantir a qualidade da produção agrícola e a segurança de pessoas e alimentos.

A próxima etapa das atividades acontecerá entre os dias 16 e 18 de agosto quando os estudantes vão conhecer as cadeias produtivas do café, laranja e cana-de-açúcar, além de indústrias e as Embrapas de São Carlos. Ao final, eles terão que produzir matérias escritas ou em vídeo, que devem ser publicadas até 28 de outubro nas mídias oficiais de seus cursos.

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