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	<title>Sou Agro &#187; Fazenda Santa Margarida</title>
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		<title>Muito além do pretinho básico</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Mar 2012 21:50:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Sou Agro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Mariano Martins trocou a carreira no mercado financeiro pela produção de cafés especiais</p>
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<p><span style="text-decoration: underline;">Júnior Milério</span></p>
<p>Era uma vez um tataravô. No Rio de Janeiro, ele fez um empréstimo para comprar sua primeira fazenda a fim de começar a plantar café em terras fluminenses. Era 1823. Depois de quase 200 anos e algumas gerações, a tradição da família Martins continua, mas agora em São Manuel, interior de São Paulo.</p>
<p>E quando o pai de Mariano Martins estava prestes a se aposentar, ele, o filho, decidiu trocar a carreira no mercado financeiro pela agricultura. Ele não hesitou e afirma convicto, “o café é apaixonante!”.</p>

<div id="attachment_21129" class="wp-caption alignleft" style="width: 598px"><a href="http://www.souagro.com.br/wp-content/uploads/2012/03/foto-mariano1.jpg"><img class="size-full wp-image-21129 " title="foto mariano" src="http://www.souagro.com.br/wp-content/uploads/2012/03/foto-mariano1.jpg" alt="Divulgação" width="588" height="378" /></a><p class="wp-caption-text">Mariano Martins, herdeiro que modernizou a gestão da Fazenda Santa Margarida</p></div>

<p>Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), pelo menos 82 litros de café foram bebidos por cada brasileiro, em 2011. O maior consumo per capita do mundo. Isso, também é resultado de muito empenho por parte dos cafeicultores, que pesquisam, inovam e oferecem novas formas de apreciar o pretinho básico da culinária.</p>
<p>Martins revela que, da sua produção, 30% dos grãos já fazem parte do padrão especial, o que possibilita novas experiências para o paladar do consumidor. Além desse percentual, 40% estão dentro do padrão commodities e o restante faz parte da chamada “qualidade tradicional”, para o mercado interno, o consumo comum, aquele do dia a dia.</p>
<p>Basicamente, commodities são produtos universais com preços referenciados em bolsas de valores. O grão de café está nessa categoria, “mas as inovações em sabores, aromas e doçura colocam o produto além desse patamar”, esclarece Martins, herdeiro de 30 anos e que está há cinco na administração da Fazenda Santa Margarida.</p>
<p><em><strong>Uma fazenda é uma empresa</strong></em><br />A diferença entre gerações não se reduz apenas à idade. A fazenda como empresa foi a visão de Martins, administrador formado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Controle gerencial, processos, estrutura e acompanhamentos não faziam parte da administração. E isso resultava em altos custos, uma escala de produção pequena, e até uma situação financeira desconfortável”, diz o cafeicultor que decidiu assumir a fazenda familiar com o objetivo inicial de reduzir custos.</p>
<p>Ele definiu três pilares para a nova fase da Fazenda Santa Margarida. Primeiro foi ter total domínio de tudo que é produzido. E esta foi a principal dificuldade, entender o negócio da família. “Primeiro contratei a consultoria de um agrônomo. Mas eu não podia ficar à mercê do que era dito apenas por ser dito, eu precisava entender os por quês”, diz Martins.</p>
<p>Para conhecer mais sobre o café, primeiro foi preciso bastante estudo. E apenas no primeiro ano, ele chegou a ler mais de mil páginas sobre cafeicultura, incluindo assuntos como pragas, sementes, entre outros. Desta forma, Martins acredita que estava devidamente capacitado para tomar as decisões necessárias.</p>
<p>“Atualmente temos procedimentos que são adotados apenas depois de submetidos a análises críticas, testados, para só depois serem aderidos.” E com isso, a produtividade média aumentou em 80% enquanto o custo total por saca de café caiu 15%, assegura o cafeicultor.</p>
<p>O segundo ponto foi o acompanhamento da gestão. “Controle!”, destaca Martins. Antes havia procedimentos que não eram garantidos, não havia números que avaliassem os produtos e os custos. “Implantei um sistema para avaliar custos, ambiente climático, entre outros aspectos”, explica o jovem. E isso permitiu tomadas de decisões mais apropriadas, como, por exemplo, o melhor momento para renovar uma lavoura, quando pulverizar.</p>
<p>“Isso é a base de todo nosso trabalho agrícola. Inclusive para garantir a qualidade”, afirma. Por meio de indicadores, na Fazenda Santa Margarida hoje é possível ter total controle do que acontece na produção. “O fazendeiro não pode se focar apenas na micro gestão, isso é anacrônico. Para crescer é preciso ter controle de processos e custos”, acredita ele.</p>
<p><em><strong>Uma conquista elogiada pelo pai<br /></strong></em>O terceiro critério adotado por Martins, diz respeito à comercialização. Checar a qualidade do café produzido, peculiaridade que confere diferença de preço no mercado, também foi meta para o iniciante na cafeicultura. “Eu sabia que eram pagos valores altos por cafés fantásticos. Mas eu não sabia se o meu café era fantástico”, lembra Martins.</p>
<p>E para entender, ele fez cursos de prova, torrefação e entendeu que antes, os grãos não eram separados adequadamente. “Até 90% do café ficava entre apenas dois padrões”. Enquanto hoje, a empresa já faz parte da Associação Brasileira de Cafés Especiais, um orgulho para o pai, e “isso foi excepcional pra mim”, confessa Martins.</p>
<p><em><strong>Imagem moderna para um café tradicional</strong></em><br />Martins Café foi o nome escolhido para a nova cara dada ao produto inovado pelo Martins cafeicultor. A imagem tradicional do café na fazenda não impediu que novos produtos, com ar jovial e em embalagens descontraídas, fossem incluídos no catálogo e se espalhassem pelo Brasil.</p>

<div id="attachment_21115" class="wp-caption alignleft" style="width: 598px"><a href="http://www.souagro.com.br/wp-content/uploads/2012/03/martins-café-editada.jpg"><img class="size-full wp-image-21115" title="martins café editada" src="http://www.souagro.com.br/wp-content/uploads/2012/03/martins-café-editada.jpg" alt="Divulgação" width="588" height="392" /></a><p class="wp-caption-text">Martins Café, grãos especiais em embalagens descontraídas e joviais </p></div>

<p>Em pouco mais de três meses no mercado, eles já estão em pelo menos 20 estabelecimentos, em cidades como São Paulo, Brasília, Londrina e outras três no Rio Grande do Sul. “Temos tradição, mas não precisamos ser sisudos, sem graça. Não temos que fazer as coisas como 100 anos atrás”, decreta ele.</p>
<p>O produto disponível hoje em cinco variedades já estava em desenvolvimento há três anos. O paladar do brasileiro tem suas peculiaridades, “e buscamos adequar o produto ao consumidor. Estamos começando a aprender a degustar cafés especiais”, diz Martins. E quanto mais se conhece o café, mais apaixonante é.</p>
<p>“Gosto muito de fazer testes, sou um tipo de professor Pardal”, brinca Martins, que diz passar metade do tempo na fazenda e a outra parte na capital paulista. Filho único e responsável pela continuidade da tradição do café na família, ele conclui dizendo que a complexidade no cultivo de café é o que mais o atrai. “Durante os próximos 30 anos pelo menos, não vou me cansar. Tenho muita coisa para conhecer e descobrir, e isso é desafiador.”</p>
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